"A fotografia foi feita no Recife por volta de 1860. Na época era
preciso esperar no mínimo um minuto e meio para se fazer uma foto.
Assim, preferia-se fotografar as crianças de manhã cedo, quando elas
estavam meio sonolentas, menos agitadas. O menino veio com a sua mucama,
enfeitada com a roupa chique, o colar e o broche emprestado pelos pais
dele. Do outro lado, além do fotógrafo Villela, podiam estar a mãe, o
pai e outros parentes do menino. Talvez por sugestão do fotógrafo,
talvez porque tivesse ficado cansado na expectativa da foto, o menino
inclinou-se e apoiou-se na ama. Segurou a com as duas mãozinhas.
Conhecia bem o cheiro dela, sua pele, seu calor. Fora no vulto da ama,
ao lado do berço ou colado a ele nas horas diurnas e noturnas da
amamentação, que os seus olhos de bebê haviam se fixado e começado a
enxergar o mundo. Por isso ele invadiu o espaço dela: ela era coisa sua,
por amor e por direito de propriedade. O olhar do menino voa no
devaneio da inocência e das coisas postas em seu devido lugar. Ela, ao
contrário, não se moveu. Presa à imagem que os senhores queriam fixar,
aos gestos codificados de seu estatuto. Sua mão direita, ao lado do
menino, está fechada no centro da foto, na altura do ventre, de onde
nascera outra criança, da idade daquela. Manteve o corpo ereto, e do
lado esquerdo, onde não se fazia sentir o peso do menino, seu colo, seu
pescoço, seu braço escaparam da roupa que não era dela, impuseram à
composição da foto a presença incontida de seu corpo, de sua nudez, de
seu ser sozinho, da sua liberdade. O mistério dessa foto feita há 130
anos chega até nós. A imagem de uma união paradoxal mas admitida. Uma
união fundada no amor presente e na violência pregressa. A violência que
fendeu a alma da escrava, abrindo o espaço afetivo que está sendo
invadido pelo filho do senhor. Quase todo o Brasil cabe nessa foto."
Autor: Alencastro,Luis Felipe de. História da vida privada no Brasil Império: a corte e a modernidade nacional.Companhia das letras: São Paulo,2001
Engenho de
açúcar típico do Brasil Colônia (séc. XVI e XIX) Fonte: Atlas Histórico
Escolar. Ministério da educação e Cultura. Fundação Material Escolar.
Escravos na moenda. Debret, 1835. Aqui podemos ver uma moenda pequena para uso caseiro.
Aqui podemos ver três escravos trabalhando em uma moenda, escravos eram tratados que nem bichos não tinham tempo para nada só para trabalhar duro para o seu senhor, seu suor não tinha recompensa era trabalho da manhã até o sol raiar e suas mulheres eram abusadas seriamentes pelos os seus senhores, infelizmente foi assim esse tempo.



Correção: Na última imagem, são quatro pessoas na moenda, não três como afirma o texto. Uma pessoa se encontra sentada do lado oposto da moenda.
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